Governo de MS quer novo porto seco de Corumbá operando ramal ferroviário

dezembro 3, 201810:55 am

O Governo de Mato Grosso do Sul defendeu a implantação de um novo porto seco em Corumbá com estrutura rodoferroviária para se integrar à Ferrovia Malha-Oeste, cuja recuperação foi garantida pelo presidente eleito Jair Bolsonaro com investimentos de R$ 5 bilhões. O desenvolvimento logístico é estratégico para o Estado e o ramal ferroviário na área alfandegária é fundamental para atender o crescente comércio com a Bolívia.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, participou da audiência pública promovida pela Receita Federal sobre o novo porto seco, em Corumbá, na terça-feira (27.11), e sugeriu a construção do terminal ferroviário, que não estava contemplado no edital da nova estrutura. A proposta deve alterar o projeto original, cuja licitação está prevista para abril de 2019.

“O que destacamos na audiência foi que o porto seco deve ter a dimensão de prever o que nós, como Governo do Estado, temos como meta para o desenvolvimento futuro de Corumbá e região “, disse. Ele citou o empenho do governador Reinaldo Azambuja para efetivar a reconstrução da Malha-Oeste e concretizar a implantação do corredor biocecânico – que ligará o Porto de Santos (SP) ao porto de Ilo, no Peru, passando por Mato Grosso do Sul.

Verruck discute projeto do porto seco com representantes da Receita Federal após audiência.

Foco na intermodalidade

Para o secretário, as alterações sugeridas no edital garantem uma nova estrutura alfandegária que não venha a atender as necessidades de Corumbá para agora, mas para os próximos 25 anos, com a inversão do fluxo de mercadorias na fronteira a partir da exportação de ureia e outros produtos pela Bolívia. “Éramos eminentemente exportadores, contudo passamos a importar 300 mil toneladas de ureia e já sinaliza-se contratos de cloreto de potássio”, pontuou.

Outro fator preponderante nessa discussão – adiantou Verruck -, que deve ser considerada, é a posição tomada pela Bolívia de eleger a Hidrovia do Paraguai como o caminho para chegar seus produtos ao mercado internacional. “O acesso à hidrovia é por Corumbá e vivenciamos um momento importante e estratégico para o porto seco, tornando o município no principal entreposto comercial dessa integração intermodal intercontinental” falou.

A intermodalidade é um ponto fundamental quando se trata de logística, argumentou o secretário. “O porto seco vai permitir esse fluxo de exportação e importação, mas temos que focar a questão da intermodalidade para o desenvolvimento”, frisou, salientando as tratativas do Estado com a Receita Federal para implantar os portos secos de Três Lagoas e Campo Grande, onde outra alternativa é ampliar a área alfandegária do aeroporto internacional.

Audiência Pública foi realizada na Associação Comercial de Corumbá, na terça-feira (27.11).

Obra inicia em 2019

O presidente da Associação Comercial de Corumbá, Lourival Vieira Costa, também destacou a importância de um novo porto seco na região fronteiriça para eliminar os gargalos do transporte. “O fluxo de cargas se inverteu e a atual estrutura não suporta a demanda, se perde muito tempo e dinheiro na passagem dessa mercadoria”, afirmou. O novo porto seco, segundo ele, vai facilitar para todos, da indústria ao importador, evitando-se prejuízos.

O atual armazém alfandegário de Corumbá, a Agesa, apresenta deficiências estruturais depois de 26 anos em operação e sua concessão, autorizada pela Receita Federal, foi encerrada. O novo porto seco, conforme estudos de viabilidade apresentada pela Receita, poderá ser construído também no município vizinho, Ladário. O edital da obra será lançado no dia 29 de janeiro de 2019, com licitação prevista para abril e execução a partir de julho.

O porto seco de Corumbá abrange a captação de cargas de todo o País, principalmente das regiões Sul e Sudeste. Dados de 2015, apontam que mais de 90% da movimentação (856 mil toneladas) era para exportação, cabendo às importações a fração de 51 mil toneladas. Nesse ano, segundo a Agesa, as importações da Bolívia, sustentadas principalmente pela ureia, devem fechar em 200 mil toneladas, com previsão de dobrar o volume a curto prazo.

A audiência pública

A audiência pública foi realizada na Associação Comercial de Corumbá, durante a manhã desta terça-feira (27.11), coordenada pela Comissão de Licitação da Receita Federal, em Brasília. Presentes também a coordenadora de Competitividade Empresarial da Semagro, Fernanda Lopes; o secretário de Governo de Corumbá, Cássio Costa Marques; e representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de MS (Setlog) e operadores.

Texto e fotos: Sílvio Andrade – Subsecretaria de Comunicação (Subcom)

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