Bolívia vai às urnas para escolher novo presidente

outubro 18, 202011:38 am

A fronteira da Bolívia com Corumbá amanheceu fechada neste domingo, 18 de outubro, por causa das Eleições Gerais, que acontecem no país andino. Os bolivianos voltam às urnas para a escolha do presidente, vice-presidente, deputados e senadores, após a tumultuada disputa de outubro de 2019, que gerou protestos e mortes em todo território boliviano por 21 dias e culminou com a renúncia de Evo Morales, hoje exilado na Argentina. 

Na linha internacional que separa Corumbá das cidades bolivianas de Arroyo Concepción, Puerto Quijarro e Puerto Suárez, o fluxo de pedestres é intenso porque muitos bolivianos que moram no território brasileiro cruzam a ponte para votar. Alguns carros foram colocados na pista para impedir o tráfego,  sendo que em território boliviano, como previsto em lei, a circulação de veículos é proibida, apenas os autorizados podem trafegar.

Já do lado de Corumbá, o local de votação é a sede do Consulado da Bolívia, localizado na rua Sete de Setembro, entre a Avenida General Rondon e Delamare. Já nas primeiras horas da manhã, bolivianos aguardavam na fila o início da votação.

Orgulhosa na fila, aguardando o momento de votar, Yolanda Severiche, disse que o seu voto é em pensamento para uma Bolívia melhor.

Ao todo, em Corumbá, são 210 bolivianos aptos a votar. Esses estrangeiros que vivem em solo pantaneiro fazem parte dos 7.332.925 bolivianos habilitados a votar neste domingo, conforme estabelece o novo padrão eleitoral aprovado pelo Tribunal Supremo Eleitoral.

O cônsul do país andino, em Corumbá, Enrique Gonzáles Antelo, destacou o dia como importante para toda a população boliviana. “Tivemos que improvisar a sede do consulado, para que pudéssemos fazer dele, um local de votação, seguindo todas as medidas de segurança contra o novo coronavírus. Esperamos que tenhamos um dia tranquilo e que possamos escolher bem os nossos representantes”, mencionou o cônsul.

Os eleitores usavam máscaras e passavam por uma câmara de desinfecção, instalada na porta do Consulado, antes de seguirem para a área de votação. Diferente das eleições em 2019, que foram canceladas, por suspeita de fraude eleitoral, neste pleito, houve novas regras.

Na parte da manhã, apenas os eleitores com final das carteiras de identidade 01-02-03-04 estão autorizados a votar, das 08h até às 12h30. Já os eleitores com identidade final 05- 06- 07- 08- 09, poderão votar apenas na parte da tarde, sendo das 12h30 até às 17h, quando se encerra a votação em todo território nacional.

A Bolívia tinha oito candidatos que concorriam ao cargo de presidente, entre eles, a presidente interina do país, Jeanine Añez, que desistiu de concorrer. Também desistiram mais dois candidatos, Tuto Quiroga e Maria de La Cruz.

Agora, são cinco nomes que concorrem à presidência do país neste domingo: Luis Arce- Movimiento Al Socialismo (MAS); Carlos Mesa, do partido Comunidad Ciudadana (CC); Luis Fernando Camacho (Creemos); Chi Hyun Chung (FPV) e Feliciano Mamani (PAN-Bol).

A constituição boliviana declara vencedor, o candidato que conquistar 50% mais um voto ou mais de 40% com 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo lugar.

Entenda o momento 

Nas eleições de 20 de outubro do ano passado, marcadas por denúncias de fraude, Evo Morales foi reeleito em primeiro turno. Após uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) ter chegado à conclusão de que o pleito havia sido fraudado, Morales renunciou ao mandato, pressionado pelas Forças Armadas. Após renunciar, o ex-presidente asilou-se primeiro no México e depois na Argentina.

À época, junto com Morales, também renunciaram Álvaro García Linera, vice-presidente do país; Víctor Borda, presidente da Câmara de Deputados e Adriana Salvatierra, presidente do Senado. Desta forma, Jeanine Añez, que era a segunda vice-presidente do Senado, assumiu a presidência interina, em 12 de novembro.

O mandato de Añez inicialmente deveria durar até janeiro, mas foi prorrogado pelo tribunal constitucional do país até maio. No dia 03 de maio, a Bolívia deveria ter ido às urnas. No entanto, com a pandemia da covid-19, houve o cancelamento. O Tribunal Supremo Eleitoral boliviano, então, propôs que as eleições gerais fossem realizadas entre 28 de junho e 27 de setembro.

No final de abril, a Assembleia Legislativa, com maioria do partido de Evo Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), aprovou a Lei n° 1.297, de Adiamento das Eleições Gerais de 2020, que definiu que o processo seria realizado em 90 dias, calculável a partir de 03 de maio. Añez afirmou que essa proposta não atendia recomendações do TSE, que previa critérios técnicos, logísticos e científicos para a realização da eleição durante a pandemia.

No início de junho, o TSE boliviano apresentou uma nova proposta de eleições a serem realizadas no prazo máximo de 127 dias, a partir de 03 de maio, ou seja, domingo, 06 de setembro deste ano.

Nas eleições deste domingo, serão eleitos presidente e vice-presidente, 36 senadores e senadores, 130 deputados e deputados e nove representantes para os órgãos parlamentares supra-estatais.

Diarionline

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